"Uma vida não é nada. Com coragem pode ser muito" Charles Chaplin

15 Maio, 2009

Anistiados

Por Eduardo Macedo de Oliveira

No dia catorze de maio de 2009, um evento na Universidade Federal de Uberlândia ocorrido em seu principal anfiteatro, ficará marcado em minha vida. Estava presente a Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, para realização de duas sessões de julgamento relacionadas a 32 processos de anistia política de ex-perseguidos políticos da região do Triângulo Mineiro. A 22ª Caravana da Anistia, assim denominada e seu colegiado presidido pelo notável jovem e uberlandense, Paulo Abrão Pires, apreciou e julgou requerimentos de anistiandos, entre eles, Afranio de Freitas Azevedo, atual Secretário Municipal de Educação, e o professor Paulo de Barros Machado. Segundo a lei nº 10.559 de 13 de novembro de 2002, que regulamenta o art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e dá outras providências, são declarados anistiados políticos aqueles que, no período de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, por motivação exclusivamente política foram atingidos por 17 condições estabelecidas no artigo 2º da referida lei, entre elas, atingidos por atos institucionais ou complementares, ou de exceção na plena abrangência do termo.
No período da tarde, a sessão iniciou-se às 14h30 e o anfiteatro estava lotado. Entretanto, no final da tarde, após um período de descanso dos membros da comissão, foram retomadas as sessões e, paradoxalmente o anfiteatro já não contava com a mesma presença de participantes. Convém ressaltar que as sessões de julgamentos faziam de parte uma série de eventos ocorridos entre os dias 13 e 15 daquela semana, contando com a presença de várias autoridades, entre elas, o Ministro da Justiça, Tarso Genro.
Pois bem, foi exatamente neste período final do evento que me marcou mais intensamente. Ao lado dos irmãos Martha Pannunzio e Francisco Humberto, acompanhei os relatos e pareceres dos membros da comissão relacionados aos anistiandos, professor Paulo de Barros Machado e Afranio de Freitas Azevedo. O primeiro, meu professor no Ensino Médio, no início dos anos 80, o segundo, uma pessoa notável que revolucionou a educação municipal em Uberlândia. Naquele momento, como durante toda a sessão de julgamentos, destacou-se o relato da vida e trajetória de cada anistiando. Uma aula magna, relatos individuais que confundiam com a história recente deste país, onde famílias foram atingidas pelo crime hediondo do autoritarismo e atropelo de todos os princípios da condição humana.
Mas, chegando por volta das 21 horas, os membros da comissão após o relato e parecer sobre o processo do Afranio de Freitas, perguntaram se familiares presentes tinham a intenção de realizar algum pronunciamento. Neste momento, Martha Pannunzio se apresenta e a partir daí tive o privilégio de presenciar uma verdadeira aula de vida, de dignidade e honradez, um depoimento corajoso, lúcido e sensível, marca de nossa inesquecível autora de “Veludinho” e de sua família. Ao final e nas decisões pronunciadas pelo presidente, Paulo Abrão, era dito ao anistiando: declaro-o anistiado político e pedimos desculpas em nome do Estado Brasileiro. Uma reparação, antes de tudo, da verdade! Parabéns aos organizadores do evento. Obrigado anistiados, por lutarem pela humanidade e democracia. A “ditabranda” dilui-se, esperamos para sempre!

12 Abril, 2009

Ênfases Curriculares

Por Eduardo Macedo de Oliveira

Ao apagar das luzes do ano de 2008, exatamente em 19 de dezembro, a Secretaria Estadual de Educação baixou a Resolução nº. 1.255. Através dela instituiu e regulamentou-se a nova organização curricular nos cursos de ensino médio das unidades de ensino da rede estadual de educação.
Em síntese, os alunos do 2º ano do ensino médio têm agora de optar por uma área específica (humanas, exatas ou biológicas) denominado como “ênfases curriculares” para seguir até o fim do antigo colegial. O número de aulas continua o mesmo. O que muda é que, se o aluno escolhe a área de Humanas, passa a não ter mais aulas de biologia, química e física nos dois últimos anos do ensino médio. Já o que opta por exatas e biológicas deixa de ter aulas de história, geografia e língua estrangeira. E mais, o aluno só tem o direito de optar pela área se tiver 70% de aprovação.
Levando-se em conta que a maioria dos vestibulares exige todo o conteúdo, em Uberlândia, por exemplo, é óbvio que os alunos da rede estadual terão a partir deste ano dificuldades para obtenção de vaga em uma universidade pública.
Seria conveniente conhecer quais foram os pressupostos e argumentações para a implantação destas mudanças. Lembro-me da época em que a mesma Secretaria Estadual de Educação implantou o ensino fundamental de nove anos. A margem dos pretensos avanços e propaganda política de tal iniciativa, o Estado espertamente a partir de então aumentou as suas receitas através do FUNDEF, pois o mesmo somente contabilizava alunos a partir da primeira série do ensino fundamental, ou seja, sete anos.
Mas voltando ao Ensino Médio, outras questões importantes: qual a posição do Conselho Estadual de Educação sobre o assunto? Qual a posição dos alunos?
No mês de abril do corrente ano, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, começou um movimento visando à redefinição das formas de acessos às universidades públicas federais. Sem dúvida, um movimento oportuno, necessário e inadiável, já que as próprias universidades permaneceram ao longo dos anos numa insuportável letargia e inércia sobre o assunto, fossilizando e intensificando a descaracterização e desvirtuamento do ensino médio, através de processos seletivos desumanos, transmissivos e enciclopédicos.
A “ponta do iceberg” é visível, afinal é notório que a educação brasileira, apesar das boas intenções e esforços, vem patinando e convivendo historicamente com uma triste realidade. E nossos jovens, vítimas das ações e omissões das esparsas e descontínuas políticas públicas, continuam ora enfrentando essa barbárie seletiva, ora evadindo-se diante das suas desilusões e falta de perspectivas. Perguntar não ofende: como a UFU se comportará diante desta nova realidade?
Que pena! Nossos jovens em uma fase importante de suas vidas têm que conviver com estas alquimias de tempos em tempos. Sobram-lhes preocupações e angústias; faltam-lhes o devido respeito e consideração para que possam vislumbrar perspectivas melhores.
Enquanto isto, manchete publicada no jornal Estado de S.Paulo (10/04/09, p.A11) “Metade dos alunos de SP conclui ensino médio sem entender ciências” corrobora que a educação mineira baseada em suas “ênfases curriculares” também contribuirá e apontará para um futuro nada promissor para os nossos jovens.

02 Fevereiro, 2009

Orçamentos Invisíveis

Por Eduardo Macedo de Oliveira

O financiamento público, salvo no âmbito federal, permanecerá um tema desconhecido e intocável. O orçamento de uma prefeitura, por exemplo, a sua elaboração, tramitação e execução passam à margem do conhecimento e entendimento da sociedade. A sua complexidade e sua obscuridade ocorrem por interesses políticos, pois quanto mais difícil de entendê-lo, quiçá acompanha-lo, melhor para aqueles que obtiveram, via eleições, a prerrogativa de administrá-lo.
Paradoxalmente, é no âmbito federal que qualquer cidadão pode conhecer e acessar via internet, parte da alquimia orçamentária municipal. Em nossa cidade, dados orçamentários não têm a mínima visibilidade. O poder executivo e legislativo não demonstrou (historicamente) nenhum interesse e disposição em disponibilizar informações, por exemplo, sobre investimentos nas áreas sociais. Como foram aplicados os recursos na educação municipal em 2007? Salvo alguns iluminados, qualquer cidadão teria que percorrer um caminho longo e repleto de obstáculos para acessar e entender como milhões de reais foram investidos na área educacional.
Estados e municípios deveriam obrigatoriamente demonstrar informações sobre as suas decisões, metas, funcionamento e resultados. Recentemente tivemos uma experiência através do orçamento participativo. Com certeza, uma forma democrática (de fato!) e legítima visando à diluição e desconstrução da blindagem histórica relacionada às finanças e investimentos públicos. Lembro-me do processo de desqualificação que fora induzido na época, pois obviamente discutir, entender, acompanhar e aprovar orçamento de uma prefeitura seria uma heresia, afinal era um assunto muito importante, para alguns.
E assim permanecemos analfabetos da cidadania. Não tenho a menor dúvida: governar em nosso país é uma tarefa fácil, pois a res publica (a coisa do povo) continua indecifrável. Apropriá-la tornou-se uma regra, afinal os recursos públicos continuam invisíveis, repito, nos estados e municípios.
Atenção legisladores municipais, em especial, os novatos. Aprovem dispositivos legais e definitivos visando a inadiável e indispensável socialização e publicização do orçamento municipal (e da Câmara!) desde a sua elaboração, tramitação, como também a sua execução e resultados.
Basta de subserviência, condescendência e negociatas, ou melhor, de faz-de-conta, de enganação e ilusionismo. Não fiquem discutindo o periférico, pautem aquilo que de fato define os rumos de nossa cidade, e consequentemente de todos nós.
A caixa-preta é um dispositivo que contém informações cruciais sobre o avião e sobre o voo. Nela ficam gravadas as conversas entre os tripulantes da cabine e dados importantes como velocidade, aceleração, altitude e ajustes de potência, entre outros. Seria conveniente que a “caixa-preta” das instituições públicas fosse visível e que as suas informações estivessem sempre disponíveis.
Na prática a cidadania deveria ser outra. Aquela que de fato pudesse tornar permeável àquilo que chama de governo. A distância da sociedade para tudo o que foi dito até aqui é fruto de uma intencionalidade, pois o estado atual das coisas permite aos governantes uma condição confortável. Decifrar o orçamento público seria um passo para a consolidação de nossa jovem democracia.

16 Janeiro, 2009

Arquitetura Distante

Por Eduardo Macedo de Oliveira

No dia 15 de janeiro foram divulgados os resultados do Censo 2008. Destaque para o aumento significativo de vagas nas creches e educação profissional em nível de ensino médio. Contudo prevaleceu a estabilização no número total de alunos da educação básica em relação aos anos anteriores. Sem dúvida, nosso país tem uma grande chance na área educacional, pois diante desta estabilização teremos mais recursos para investimento e melhoria da qualidade educacional.
Um dos itens, tradicionalmente ignorado e subestimado, refere-se à arquitetura educacional, ou seja, os projetos visando novas escolas carecem de uma atenção cuidadosa e de especialistas para tal. Constroem escolas através de conceitos ultrapassados e conservadores. Lembro-me, porém, que em 1971 tive a oportunidade de estudar em uma escola verdadeiramente revolucionária, em todos os aspectos. Era ali, no bairro Presidente Roosevelt, e chamava-se Escola Estadual “Guiomar de Freitas Costa”, conhecida carinhosamente como escola polivalente. Entre as suas virtudes, chamava a atenção a sua arquitetura, onde espaços foram pensados para atender plenamente os seus objetivos: educar!
Pausa. Com um investimento de R$ 38 milhões, em breve será inaugurado o Hospital Municipal. Um destaque desta obra é justamente o seu projeto e conceitos arquitetônicos. Um profissional de notório saber e especializado em hospitais, Domingos Fiorentini (arquiteto e médico), foi convidado pelo Poder Executivo. E o resultado não poderia ser diferente: teremos um hospital moderno, ecologicamente correto, “100% verde”, com preocupações relacionadas com as condições climáticas locais, orientação solar, radiação, temperatura do ar e umidade relativa. Também “o hospital, projetado com três eixos, permitirá a circulação pública sem obstáculos, mas sempre terminando em sala de espera ou secretaria, o que aumenta a segurança e a humanização. O segundo, industrial, para o transporte da comida, roupa, lixo e até cadáveres. O terceiro, interno, para circulação de médicos, pacientes acamados e conduzidos, e funcionários. Os departamentos que têm interação estarão justapostos ligados a menor distância. Isso ratifica seus princípios básicos – centralização, concentração, compactação, de modo a aperfeiçoar os recursos humanos e materiais, agrupando diversas funções no mesmo local (secretaria, recepção, informações, admissão, portaria, protocolo, segurança, informações e controle de acesso, por exemplo) e reduzindo os espaços entre as partes que compõem uma atividade.” (http://www.iof.mg.gov.br/index.asp , acessado em 31/12/2008).
Prossegue. Pois bem, as nossas escolas não poderiam contar com a mesma atenção e cuidado. Ao projetá-las não seria conveniente a contratação de um profissional especializado para que pudéssemos proporcionar aos nossos educandos uma instalação física com espaços, conceitos e soluções inovadores, funcionais e criativos. Em 1999, o projeto do Centro de Excelência da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial (FADE) ligada à ACIUB foi elaborado pelo arquiteto Sebastião de Oliveira Lopes (http://www.sebastiaolopes.com.br/ ), profissional especialista na área educacional. Mirem-se no exemplo. Projetar uma escola é sim, tão complexo como construir um hospital.

04 Janeiro, 2009

Feliz 2010!

Por Eduardo Macedo de Oliveira

Noite de quinta-feira, mais uma passagem de ano e 2010 tornar-se-á uma realidade. Neste dia, muitas promessas e desejos de renovação, uma página virada em nossas vidas. Entre fogos de artifícios e euforias, repousam entre nós, uma necessidade de avaliação do ano que se finda, 2009.
Tudo bem, um ano em que se comemorou os 20 anos da queda do Muro de Berlim e a lembrança do massacre da Praça Celestial ocorrido na China. Também digno de nota o aniversário de primeiro ano do governo de Barack Obama e a crise financeira herdada em 2008, que finalmente revelou seus efeitos em nossas vidas.
Mas em Uberlândia, 2009 parece que vai tarde. No plano esportivo, nosso Uberlândia Esporte Clube apesar de ter se mantido na primeira divisão, mais uma vez decepcionou seus torcedores, pois diante de um campeonato estadual insólito, não soube e nem teve tempo suficiente para uma preparação adequada. Em destaque, a evolução da equipe de voleibol do Praia Clube, que através de um trabalho competente soube em seu segundo ano, representar-nos dignamente na Liga Nacional.
No campo político, apesar da relativa renovação do Legislativo Municipal prevaleceu o fisiologismo e a subserviência da maioria dos nossos vereadores. Como consolo, destaque para a participação de alguns vereadores no campo educacional, pois souberam pauta-la em nosso município, cobrando principalmente a aprovação do Plano Municipal de Educação. No Executivo, finalmente foi instalada a Ouvidoria Municipal, conforme prescrita em Lei Municipal. Também se destacou a publicização e socialização da execução orçamentária através do portal eletrônico do Poder Executivo. Confirmaram-se no primeiro ano do segundo mandato do atual prefeito, as suas dificuldades diante da queda da arrecadação e receitas municipais, impondo-lhe no transcorrer do ano, cortes amargos no seu programa de governo e ações sociais. No plano estadual, não foi diferente, pois a crise mundial afetou significativamente os seus principais ativos econômicos, impondo ao atual governador, uma reengenharia orçamentária e prejudicando, por tabela, as suas aspirações à presidência da República. Com a inauguração do Hospital Municipal, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia finalmente pode respirar melhor diante das complexas demandas nesta área.
Em 2009, no campo econômico chamou-nos a atenção a corrida alucinante das obras dos dois shopping centers. De um lado, uma inauguração, e de outro, uma reinauguração (ou ampliação). Felizmente, diluiu-se e dissipou-se o insuportável monopólio em nossa cidade. Salienta-se na inauguração do novo shopping center, as novas salas de cinema, muito mais confortáveis e acessíveis (e com ingressos mais baratos).
Diante da manifestação popular, felizmente a execução do projeto para modernização e revitalização do centro urbano preservou alguns espaços históricos de Uberlândia, prevalecendo o bom senso.
Apesar da crise econômica, nossos políticos, em especial do Congresso Nacional, de posse de suas emendas parlamentares esgotaram as contas públicas penalizando os gastos sociais.
Mas basta de avaliações, pois daqui a pouco, a passagem para 2010 nos fará esquecer, mesmo por uma noite, um país há procura do seu futuro, da sua civilização e da sua barbárie.

24 Outubro, 2008

Metáfora da Cegueira

Ensaio sobre a Cegueira” é um romance do escritor português José Saramago, publicado em 1995, e traduzido para diversas línguas. A obra se tornou uma das mais famosas de Saramago e recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1998, três anos após sua publicação. O diretor brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel”) adaptou o romance de José Saramago com o título, em inglês, de “Blindness”, com estréia prevista em Uberlândia nesse mês de outubro. José Saramago e Fernando Meirelles nos trazem a comovente história sobre a humanidade em meio à epidemia de uma cegueira misteriosa. É uma investigação corajosa da natureza e de sentimentos humanos como egoísmo, oportunismo e indiferença e convida a refletir sobre o ser humano e seus mais baixos instintos, além da sua capacidade de amar e seu senso de responsabilidade.

José Saramago parece querer chamar a atenção dos seus leitores para as questões morais que regem uma sociedade e que, em várias medidas, estão sendo negligenciadas. Essa relativização moral pode e deve acontecer contanto que se pretenda à melhoria do convívio social. Isso é o que constitui a ética. Questões sociopolíticas são lançadas e talvez isso aproxime tanto o romance da realidade. O “Ensaio sobre a Cegueira” está nessa fronteira entre o real e o ficcional, na medida em que aborda questões muito recorrentes no cotidiano das pessoas. É possível dizer que a alienação é freqüente em sociedades marcadas pela imposição de hierarquias e pela dominação por meio do poder? Como falar de olhos a um mundo cego? E existe algo que possa curar essa “cegueira” da humanidade?

No livro, José Saramago traz essas questões e temas universais, retratando não só a deficiência visual, como também a mais profunda e envolvente que é a “cegueira simbólica”, destacando que nossa visão é antes de tudo uma questão cultural, sendo influenciada mais pelo mundo. Na verdade, vemos somente o que é imposto e o que nos é dado. Também temos esse lado de enxergar as coisas boas da vida, só que não é por doença, é a cegueira que acompanha a modernidade e a pessoa já não sabe mais diferenciar o que é verdadeiro e o que é falso. Por vivenciarmos tanta coisa ruim, desejamos profundamente estarmos cegos simbolicamente, já que por meio disso podemos ter a visão das coisas que escolhemos.

O romance aborda a manifestação de uma cegueira abatendo uma cidade não identificada. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por seus instintos, à medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena, em condições desumanas, e os serviços estatais começam a falhar. Somente uma mulher não é atacada pelo mal da epidemia. Resta apenas a sua visão em meio à cegueira, moral e física, que aflige os homens, tornando-a a única testemunha da degradação a que foi capaz de alcançar essa sociedade absolutamente cega.

O livro apresenta o arruinar completo da sociedade. Por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização. “Ensaio sobre a cegueira” retrata a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam. A história torna-se não só um registro de sobrevivência física das multidões cegas, mas também das suas vidas e da dignidade que tentam manter. Nossa cegueira começa sempre em nós mesmos. Esse é o vírus da cegueira que acaba nos impedindo de ver o outro e a sociedade.

Entre desumanização e humanização presente na narrativa, Saramago convida o leitor a uma revisão de valores e a tomada de consciência a respeito da situação do homem enquanto cidadão do mundo. Isso porque é possível haver humanização por meio do resgate da memória, da solidariedade e também da libertação das máscaras sociais, que alienam e aprisionam. Tal situação é agravada pela desintegração da vida humana articulada e, conseqüentemente, pelo estabelecimento da alienação dos indivíduos, seguindo o conceito de alienação marcado pela imposição de hierarquias e pela dominação por meio do poder. Acho que todos nós somos capazes de resolver as questões, de fazermos as escolhas certas. No livro isso fica muito claro. O tema essencial é a dignidade humana. E como os artifícios para mantê-la na nossa sociedade são frágeis. A linha que define a civilização da civilidade das pessoas é muito delicada. E o que mais nos aproxima da civilidade é o fato de vivermos em comunidade, de precisarmos viver em comunidade. Uns cuidando dos outros. Da família, dos amigos, da nossa cidade. “Ensaio sobre a cegueira” é uma obra que serve de reflexão aos múltiplos sentimentos humanos e às questões sociopolíticas. Vale a pena conferir, para refletir nossas escolhas políticas.

* Viviane Moreira da Rocha Graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC)
vivirocha25@hotmail.com

fonte:
http://www.correiodeuberlandia.com.br/coluna/NEHAC/54/nehac.html

10 Mandamentos do Meio Ambiente

Dom Carlo Rocchetta, ex-assistente nacional da Coldiretti [principal organização agrícola italiana - http://www.coldiretti.it/], utilizou um método muito tradicional para explicar o comportamento ecológico: inspirou-se na fórmula dos 10 mandamentos, mesmo que não seja fácil esculpir esta “nova versão” sobre tábuas de pedra.

A reportagem é da revista Missione Oggi, edição de outubro de 2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


1. Eu sou o Senhor, vosso Deus. Não procureis situações de perigo ou mortais na ordem da natureza, especialmente se possam se tornar permanentes e incontroláveis.

2. Não cometais violência à criação e à sua integridade. É um pecado “ecológico” que Me ofende, grave como o pecado pessoal ou social.

3. Lembrai-vos de respeitar a unidade do sistema vital e a interdependência que existe entre os seres vivos. O futuro da humanidade corre risco. Segui um estilo de vida que seja sóbrio, justo e respeitoso com a natureza e o bem comum.

4. Honrai a variedade das criaturas, da flora e da fauna. São um dom e uma riqueza para todos. Não tenteis empobrecê-la ou destruí-la. Apreciai e valorizai a biodiversidade, favorecei-a em cada lugar.

5. Não mateis a democracia econômica, a justiça social e a solidariedade em nome dos poderes econômicos e financeiros que anulam a liberdade, a criatividade e o espírito de iniciativa dos pequenos empreendedores.

6. Não manipuleis o patrimônio genético e o conhecimento do genoma humano para vos trazer benefícios. Tudo o que está escrito na criação deve ser compartilhado e servir para o bem de toda a humanidade.

7. Não roubeis e não crieis novas formas de pobreza e de exploração dos mais fracos, com um sistema econômico perverso que usa os pobres para enriquecer os ricos.

8. Não deis falso testemunho aos consumidores, mentindo sobre os produtos, gerando insegurança com relação aos alimentos ou provocando doenças. Respeitai a vida em todas as suas formas e trabalhai para produzir alimentos seguros.

9. Não desejeis a agricultura sem os agricultores, anônima e sem ligação com a terra. Apreciai o trabalho de “tutor” e de “cultivador” que Eu confiei ao homem no princípio da criação.

10. Não destruais os produtos tradicionais regionais ou aqueles de qualidade, os sabores e os perfumes da terra. Não contamineis sementes boas ou animais com culturas e forragem que não sejam seguras. Intervinde sobre a natureza para melhorá-la, sem ameaçá-la ou violentá-la no seu delicado equilíbrio.

Nos Estados Unidos, a editora Harper recém publicou (com papel reciclado e impressão com tinta à base de soja) a
"Green Bible" [ http://greenletterbible.com/ ], a Bíblia verde, isto é, a antologia das passagens bíblicas que fazem referência à natureza e ao meio ambiente. São cerca de 1.000 trechos, dentre os quais 490 fazem referência ao paraíso e 520 ao amor.

O texto encoraja o reconhecimento do amor de Deus pela criação e o cuidado que devemos ter com ela.

http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=17630

acessado em 23/10/08

mais: http://unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=16877

10 Outubro, 2008

A hora de refazer todas as contas

Jornal Estado de S.Paulo, 10/10/08:

Por Washington Novaes

Nos mesmos dias em que o mundo acompanhava, perplexo, o farto noticiário sobre as tentativas de conseguir no Congresso norte-americano a aprovação de um plano de US$ 700 bilhões para conter a crise financeira que já se espalhava por todos os continentes, a comunicação praticamente não deu nenhuma importância à notícia, divulgada pela ONG canadense Global Foot Print Network, de que no dia 23 de setembro a humanidade ultrapassara, este ano, o consumo de todos os recursos que o planeta pode produzir ao longo de 365 dias. A partir daí, ocorre um consumo de recursos e serviços naturais além do que a biosfera terrestre pode repor - um sobreconsumo que agravará a crise, pois aumentará a desertificação e a chamada crise da água, produzirá maior perda de florestas tropicais, gerará a emissão de mais poluentes que contribuirão para mudanças climáticas, etc.

Esse consumo excessivo, que começou a ser avaliado pela ONG em 1986, uma década mais tarde já superava em 15% a capacidade de reposição; em 2007, estava em torno de 25% e ocorreu a partir de 6 de outubro; este ano, a partir de 23 de setembro. É um sistema de avaliação semelhante ao utilizado no Relatório do Planeta Vivo, do WWF. Este, em 2006, já dizia que esse impacto - a “pegada ecológica da humanidade” - mais do que triplicara desde 1961 e já superava a capacidade de reposição em 25%.

Certamente é uma crise mais grave ainda que a financeira, mas que continua a ser minimizada, quando não ignorada. Segue-se tratando da atual crise financeira apenas em termos de quanto afetará ou não o produto bruto mundial e o produto bruto de cada país, inclusive do Brasil, sem preocupação com o quadro de realidade concreta que nos cerca. Como se a crise se pudesse resolver apenas em termos de crescimento econômico. E vale a pena relembrar, nesse ponto, o pensamento, já mencionado neste espaço, do biólogo Edward Wilson, apontado como o cientista que mais entende de biodiversidade. Tenta-se, diz ele, acreditar que a solução para os dramas do mundo estará no crescimento econômico puro e simples. Então, pode-se partir da hipótese de que a economia mundial vá crescer 3,5% ao ano - um crescimento modesto, já que se almeja 5% ou 6%, até 10% ao ano, como na China. Se ela crescer 3,5% ao ano, partindo do atual produto global, superior a US$ 50 trilhões anuais, chegaria a 2050 perto de US$ 160 trilhões. Mas não chegará, porque não há recursos e serviços naturais capazes de suportar o aumento de consumo decorrente desse crescimento. Será preciso, adverte Wilson, encontrarmos formatos de viver e consumir compatíveis com as possibilidades físicas do planeta - até porque não há outro disponível (embora nosso ministro de Assuntos Estratégicos já ande acenando com essa possibilidade).

Faz falta, nessa hora, uma figura como o falecido José A. Lutzenberger, que foi secretário nacional de Meio Ambiente de 1990 a 1992. No seu livro Fim do Futuro, que é de 1980, ele já advertia que nos encontramos “num divisor de eras”: “A crise de energia e matérias-primas que hoje solapa os alicerces da sociedade industrial demonstra que os recursos desta nave espacial, o planeta Terra, são finitos. Esta crise refuta as premissas básicas da sociedade de consumo, com sua ideologia de expansão e esbanjamento ilimitados.” Lutzenberger sabia em que terrenos pisava: “Sempre nos acusaram e continuarão nos acusando de radicais, de líricos, quando não de apocalípticos. Apenas somos realistas. A realidade é grave” (foi exatamente como “apocalíptico” que uma revista de grande circulação o qualificou em título, ao anunciar sua ascensão à Secretaria Nacional do Meio Ambiente em 1990).

Pouco tempo depois, em 1981, ao dirigir-se a uma turma de universitários que o elegera paraninfo, ele insistia: “Nossa política desenvolvimentista, nossos modelos econômicos e tecnológicos são concebidos como se a natureza não existisse, ou apenas estorvasse, como se nós mesmos não fôssemos parte integrante dela, como se pudéssemos sobreviver à sua demolição.” Quem observa a atual crise financeira constata exatamente isso: seu descolamento da realidade física, a começar pelo mercado de hipotecas de imóveis nos EUA, cada uma delas negociada, renegociada muitas vezes, por valores que nada têm que ver com o concreto. Alavancado, como se diz no mercado. Se quiser, encontrará panorama semelhante nos mercados de commodities, nos quais a safra de um ano de determinado produto pode ser negociada e renegociada por muitas vezes seu valor real. E assim será em muitas áreas.

Lutzenberger seria utilíssimo também para nos ajudar a resolver o drama amazônico, que não sai das manchetes. Foi ele que acabou com os subsídios e incentivos fiscais que estimulavam a derrubada da floresta para plantar soja ou criar bois. Foi ele que mostrou a irracionalidade de inundar a floresta para gerar energia subsidiada destinada a produtos eletrointensivos que os países industrializados não querem fabricar, exatamente por causa do custo da energia. Foi ele que proibiu o Ibama de emitir guias que eram usadas muitas vezes cada uma, para transportar madeira extraída ilegalmente - e foi isso que lhe custou a saída da secretaria, em 1992, por pressão do lobby das madeireiras. Mas não é só. Lutzenberger também foi dos primeiros a fazer muitas contas que ficam escondidas até hoje debaixo dos tapetes (“temos de fazer contas de tudo”, dizia). Sobre as unidades de energia consumidas para produzir, por exemplo, carnes, e que são superiores às que estão no produto. Ou sobre a água consumida com a mesma finalidade.

São lições indispensáveis ainda hoje. Será inútil manter ilusões e retardar soluções verdadeiras. Teremos, a partir da crise financeira, de refazer as contas de tudo. Se não for assim, iremos de recaída em recaída. O que está em jogo são os formatos de viver.

Washington Novaes é jornalista

E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

Segurança na Internet

A SaferNet Brasil lançou dia 09/10/08, durante coletiva de imprensa com o Ministério Público Federal em São Paulo, pesquisa inédita sobre segurança na Internet. A pesquisa contou com a participação de quase 1.400 crianças, jovens e pais de todo o País. O estudo foi elaborado pela SaferNet, organização não governamental responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que opera em parceria com o MPF-SP.

Principais Resultados da Pesquisa:

http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/Noticia20081009202936


Baixe os slides da coletiva de imprensa com o resultado da pesquisa:

http://www.safernet.org.br/twiki/pub/SaferNet/Noticia20081009202936/slides-pesquisa_coletiva_09102008.pdf

mais: http://www.safernet.org.br/

Mecanismos de Busca

Técnicas de busca na WEB

http://www.dicas-l.com.br/cursos/search/websearch.pdf


Dicas para uso do buscador Google
http://www.lia.ufc.br/~alexsandro/google.htm


Alguns recursos do buscador Google
http://pt.wikipedia.org/wiki/Google


Guias rápidos de informática: Google
http://www.geocities.com/guia_rapido/google.html


mais: http://www.ead.unicamp.br/minicurso/bw/texto/tabela_conteudo.html


VEJA A DIVERSIDADE DOS SITES DE BUSCA

MÃO HUMANA
O www.chacha.com conta com guias que fazem a busca baseada em perguntas de um chat

OUVIDOS ATENTOS
O www.podzinger.com "lê" o áudio de podcasts e do YouTube e procura palavras nele MEU BUSCADOR

No rollyo.com, o usuário escolhe o assunto e faz uma lista de sites confiáveis para a busca

MULTIMÍDIA
O www.flurl.com busca vídeos, arquivos em flash e áudio e o usuário avalia os resultados

ENTRETENIMENTO
O www.biggerboat.com é especializado em filmes e em músicas

OLHADINHA
O www.snap.com mostra na própria tela uma imagem das páginas encontradas

INTELIGÊNCIA COLETIVA
O www.eurekster.com une o conceito de wiki e de personalização para aprimorar os resultados

POR PARTES
O clusty.com cruza dados de diversos buscadores e separa em tópicos os resultados

MAPA DA REDE
O www.kartoo.com, com versão em português, mostra os resultados em uma interface visual. Uma versão atende as crianças

Um novo modelo educacional

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